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Kathleen Krüger tinha 23 anos quando começou na base do Bayern de Munique. Dezessete anos depois, foi contratada como diretora esportiva do Hamburger SV — uma das posições mais estratégicas do futebol masculino alemão. A nomeação não chegou de um convite avulso: foi construída em quase duas décadas dentro de um dos maiores clubes do mundo, cargo a cargo.

A trajetória de Krüger é o ponto de partida de uma reportagem da Marie Claire que mapeia 11 mulheres que ocupam (ou ocuparam) posições de poder no futebol masculino, do Brasil à Europa. A lista inclui Leila Pereira, presidente do Palmeiras, mas vai muito além do que o noticiário esportivo costuma destacar.

O texto chega em um momento de movimentação no cenário europeu. Em abril, antes mesmo da nomeação de Krüger, o Union Berlin havia promovido Marie-Louise Eta ao cargo de treinadora interina — ela se tornou a primeira mulher a integrar uma comissão técnica principal na história da Bundesliga masculina. Em poucos meses, duas decisões colocaram mulheres em espaços historicamente dominados por homens no futebol alemão.

A reportagem, no entanto, não cede ao entusiasmo fácil. Os dados estão lá: na FIFA, mulheres ocupam apenas 8 das 37 cadeiras do Conselho — e isso com a exigência formal de ao menos uma representante por confederação. A equidade de gênero nas instâncias de decisão do futebol ainda está longe de ser realidade.

Para quem quer trabalhar no esporte, a leitura tem valor prático: coloca nome, cargo e trajetória em referências reais de carreira, mostra por onde essas mulheres entraram e como chegaram onde chegaram. Menos inspiração genérica, mais mapa de possibilidades.

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