A Copa do Mundo de 2026 deve encerrar o torneio com US$ 11,3 bilhões em receitas — um salto de 75% em relação ao Catar 2022. O número, por si só, já diz muito. Mas uma reportagem da VEJA publicada esta semana vai além dos dados da Copa e traça um panorama mais amplo: o que está acontecendo com a indústria do esporte como um todo.
A resposta é direta. Segundo levantamento do Bank of America citado na reportagem, o business do esporte movimentou US$ 2,3 trilhões em receitas no ano passado — entre turismo, transmissões, apostas, patrocínios, compra e venda de atletas e muito mais. A projeção para 2030 é chegar a US$ 3,7 trilhões. Fundos de private equity, fundos soberanos e investidores institucionais já detêm participação em 36% dos clubes das cinco grandes ligas europeias. O esporte deixou de ser passatempo e virou ativo de portfólio.
A reportagem, assinada por Felipe Carneiro de Los Angeles, percorre os diferentes modelos de negócio que estão moldando esse mercado: a lógica de escassez da NFL, que fatura US$ 23 bilhões por ano com um número controlado de partidas; a Copa do Mundo como laboratório de mídia, testando distribuição gratuita no TikTok e YouTube para mapear audiências e precificar os direitos digitais no próximo ciclo; e a Olimpíada de Los Angeles 2028, que já captou mais de US$ 2 bilhões em patrocínios e vai introduzir pela primeira vez o modelo de naming rights nos Jogos.
Há também um diagnóstico sobre o Brasil — e é o trecho que mais interessa a quem trabalha ou quer trabalhar no setor aqui. O país é o maior exportador de jogadores do planeta, tem cinco títulos mundiais e torcidas que enchem estádios em qualquer circunstância. Mas o Campeonato Brasileiro, segundo a reportagem, ainda opera com a lógica dos anos 1990: gramados irregulares, padrão visual fragmentado, transmissões dispersas e horários inconvenientes. Em um mercado global onde a audiência internacional é o principal multiplicador de valor, um produto que não atravessa fronteiras opera muito abaixo do seu potencial.
Para quem quer construir uma carreira no esporte, essa reportagem funciona como um mapa. Ela mostra onde o dinheiro está, como ele se move, quais são as apostas estratégicas dos maiores players globais — e onde o Brasil ainda deixa dinheiro na mesa. Leitura obrigatória.
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